T&D não é Manufatura

Bismak Rodrigues

2/6/20252 min read

Quando falamos de Treinamento e Desenvolvimento (T&D), muitas empresas ainda insistem em tratar a formação de pessoas como se fosse uma linha de produção: padronizada, em série e indiferente às singularidades de cada indivíduo.

Esse modelo, herdado da educação tradicional, é justamente o que produziu a mão de obra deficiente que agora o mercado corporativo tenta corrigir.

O ponto é claro: formar pessoas não é manufatura. Pessoas não são peças que podem ser moldadas de forma idêntica. Cada colaborador carrega saberes prévios, experiências, estilos de aprendizagem e ritmos próprios. Ignorar essa diversidade é repetir o erro histórico de tentar “colocar todos dentro da mesma caixa”, uma prática que já mostrou seus limites e continuará falhando, se não for repensada.

Cada pessoa se desenvolve de forma diferente, não há como encaixotar tudo em cursos padronizados, por isso, a personalização é um caminho viável

O desafio de abandonar o modelo industrial

Boa parte dos programas de T&D segue obedecendo processos tradicionais: uma grade fixa, o mesmo conteúdo para todos, uma sequência linear de tópicos. O resultado? Baixo engajamento, perda de interesse e pouca retenção de conhecimento.

A lógica é simples: em uma turma desnivelada, quem já domina o tema se desmotiva por não encontrar profundidade; quem não tem base suficiente abandona o processo por não acompanhar. Nesse cenário, não é surpresa que muitos treinamentos virem mera formalidade, em vez de motor de transformação.

Personalização como estratégia

Vivemos em um momento em que a tecnologia já permite uma abordagem muito mais inteligente. Machine Learning e Inteligência Artificial Generativa oferecem recursos para compreender o desenvolvimento individual de cada profissional em tempo real, ajustando percursos, conteúdos e desafios de acordo com as necessidades de cada um.

Não se trata de criar modelos rígidos, mas de abrir espaço para a personalização. Validar novas formas de aprendizagem, oferecer trilhas que façam sentido e entregar conteúdo alinhado às reais demandas do indivíduo e da organização.

O verdadeiro motivo do baixo engajamento

Muitos gestores se perguntam: por que os treinamentos não engajam? Uma das respostas mais evidentes está no desalinhamento entre conteúdos e contexto real de aprendizagem.

  • Se o conteúdo não se conecta ao que o profissional vive e precisa, ele não vê valor.

  • Se não há desafio suficiente, o processo soa superficial.

  • Se é complexo demais sem base prévia, a frustração toma conta.

É nesse ponto que as abordagens personalizadas mostram seu poder: ao ajustar a formação ao indivíduo, garantem que a aprendizagem seja relevante, motivadora e efetiva.

O futuro do T&D não pode ser construído sob o paradigma da produção em massa. Formar pessoas exige olhar atento, dados precisos, tecnologias de apoio e, sobretudo, uma mentalidade voltada para a personalização.

Tenho apoiado empresas a adotar modelos de aprendizagem mais eficientes, envolventes e orientados a resultados, e essa experiência mostra que é plenamente possível construir um futuro promissor para a educação corporativa a partir dessa abordagem